Boletim informativo semanal da
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Se você deseja receber este boletim
em seu e-mail, clique aqui
Minha voz já está rouca, cansada e
enferma, mas será sempre uma voz indignada, uma voz de combate, uma voz de labaredas de
fogo para podermos torrar o racismo e o colonialismo que sobrou do tempo da escravidão.
Abdias Nascimento, em audiência pública no Senado Federal,
na sexta-feira, 13 de maio de 2005 |
NESTA EDIÇÃO:
FALTAM
7
semanas para a
1ª Conferência Nacional de
Promoção da Igualdade Racial
|
(Regimento - Texto-base)
Acompanhe toda a programação e tire suas dúvidas pela Central de Informações e Apoio
à 1ª Conferência Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
telefone: 0800 642 15 25
e-mail: conferencia@fubra.unb.br
|
|

|
Cinco Estados têm conferências esta semana (Leia
Mais) |
Quilombo Axé ganha
SP na próxima segunda-feira (Leia Mais)
Saúde da população negra tem 2o seminário em SP (Leia
Mais)
Comunidades remanescentes de quilombos do RS entram
na rota do desenvolvimento sustentável (Leia Mais)
Jovens talentos batalham por um lugar de destaque na
Copa CPLP de Futebol, em Brasília (Leia Mais)
Comissão Tripartite realiza esta semana em Brasília
sua primeira reunião de trabalho (Leia Mais)
A DESIGUALDADE EM NÚMEROS - (Leia Mais) |

| Quilombo
Axé ganha São Paulo na próxima segunda |
A cultura quilombola entra em cena na próxima segunda-feira (16) no exuberante museu Afro
Brasil. É o lançamento, em São Paulo, do projeto Quilombo Axé, que tem por objetivo
promover o intercâmbio cultural entre artistas e as populações negras urbanas e rurais,
para resgatar valores, promover a auto-estima e visualizar a realidade da população
quilombola brasileira. O evento faz parte da agenda em torno do 13 de maio. A secretária
especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro
participa.
"A nossa perspectiva com este trabalho é proporcionar a todos os brasileiros a
descoberta de um universo riquíssimo e desconhecido", afirma a ministra. Para ela, o
trabalho abre um leque de possibilidades para o resgate cultural dessas áreas.
Para o subsecretário de Planejamento e Formulação de Políticas da Seppir (Secretaria
Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) da Presidência da República,
Antonio da Silva Pinto, coordenador do evento, o Quilombo Axè é a chance de se fazer a
união entre artistas conhecidos com um imenso grupo de artistas anônimos.
"É fundamental valorizar a contribuição histórica deste povo, pois seus moradores
são, até os dias de hoje, verdadeiros guardiões da história dos africanos trazidos
para o Brasil durante a escravidão", afirma o subsecretário.
São parceiros da iniciativa diversos artistas engajados nas questões sociais: Toni
Garrido, Alcione, Leci Brandão, Paula Lima, Norton Nascimento, Seu Jorge, Camila Pitanga,
Chico César, entre outros. O patrono do projeto é o meu, o seu, o nosso Martinho da
Vila.
O projeto será desenvolvido, inicialmente, em oito comunidades de quilombos. Soma-se às
iniciativas da Seppir na implementação de ações no âmbito da promoção da igualdade
racial. A base para sua formatação é a Política Nacional de Promoção da Igualdade
Racial. O projeto contribui também para outras formas de execução do Programa Brasil
Quilombola, lançado em 12 de março de 2004.
O Quilombo Axé é apoiado pela Eletrobrás, Petrobras, museu AfroBrasil e revista Raça,
da editora Símbolo. Suas linhas gerais foram lançadas em dezembro do ano passado, em
Brasília.
| |
Lançamento do Quilombo Axé em São Paulo
Data: 16 de maio
Horário: 20h
Local: museu Afro Brasil,
pavilhão Manoel da Nóbrega, parque do Ibirapuera, portão 10, Ibirapuera, São Paulo, SP
Informações: (55 11) 5579-6099 |
|
(voltar) |
Saúde da População Negra tem segundo seminário em SP |
Maior mortalidade infantil, materna e entre os jovens. As estatísticas apontam claramente
que cidadãos negros são discriminados no acesso aos serviços de saúde. Desde
complicações no parto para mãe e filho pela falta de acompanhamento pré-natal até
casos extremos de morte prematura por infecções, o quadro é de uma cruel omissão que
vitima. Essa realidade desigual e as possibilidades de enfrentá-la são tema do 2o
Seminário de Saúde da População Negra do Estado de São Paulo, que acontece na
terça-feira (17), no Memorial da América Latina, na capital paulista.
O evento vai reunir especialistas no assunto, como Luiz Antônio Nolasco, coordenador do
Comitê Técnico de Saúde da População Negra do Ministério da Saúde, e Fernanda
Lopes, coordenadora do Programa de Combate ao Racismo Institucional do DFID (Departamento
para o Desenvolvimento Internacional) do Governo Britânico, que também integra o
Comitê.

|
|
|
Ações Afirmativas - Para
o coordenador do Comitê Técnico de Saúde da População Negra do Ministério da Saúde,
é preciso tratamento diferenciado em saúde à população discriminada. Foto:
Ministério da Saúde |
Para Nolasco, que participa na mesa
Estratégias de Gestão para Promover a Equidade em Saúde, as mais de 60 ações
afirmativas desenvolvidas hoje pelo SUS (Sistema Único de Saúde) - como o combate à
anemia falciforme, que acomete mais a população negra, e o aumento das verbas no
programa Saúde da Família para cidades que abrigam comunidades remanescentes de
quilombos - são prioritárias quando o assunto é posto em discussão.
"Existe uma falsa polêmica em antepor o princípio de universalidade do SUS a
ações afirmativas, já que uma parcela da população vive socialmente à margem por
causa da discriminação", afirma Nolasco. Segundo ele, é preciso intervir para que
haja igualdade no atendimento.
"A eqüidade só será possível tratando os diferentes de maneira diferente",
diz. Para ele, a efetiva promoção da saúde da população negra caminha lado a lado com
a eliminação do racismo institucional no País, e essa é uma barreira difícil de ser
contornada.
"O que importa é admitir que esse momento pelo qual passamos é único, já que a
promoção da igualdade racial na saúde compõe atualmente uma estratégia de governo. É
prioridade", complementa.
O Comitê Técnico de Saúde da População Negra é um órgão do Ministério da Saúde
que atua com a inclusão da questão racial nas políticas do Governo Federal nessa área
e reúne, além de todos os órgãos do ministério, o Conass (Conselho Nacional de
Secretários Estaduais de Saúde), o Conasems (Conselho Nacional de Secretários
Municipais de Saúde), a Fenafal (Federação Nacional de Anemia Falciforme) e
pesquisadores indicados pela Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial) da Presidência da República.
No momento, as principais frentes de ação do Comitê têm sido estimular os Estados a
criarem comitês técnicos regionais e realizar oficinas com gestores para informá-los e
sensibilizá-los sobre a questão.
O 2o Seminário de Saúde da População Negra do Estado de São Paulo é
promovido pela Secretaria de Saúde e pelo Conselho de Desenvolvimento e Participação da
Comunidade Negra do Estado, em parceria com entidades do movimento negro e instituições
como o Nupe (Núcleo Negro da Universidade Estadual Paulista para Pesquisa e Extensão) e
o DFID (clique aqui
para conferir a programação completa).
| |
2o Seminário de Saúde da População Negra do Estado de São Paulo
Data: 17 de maio
Horário: das 8h30 às 19h
Local: auditório Simon Bolívar do Memorial da América Latina,
avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664, estação Barra Funda do Metrô, Barra Funda,
São Paulo, SP |
|
(voltar) |
Comunidades remanescentes de quilombos do RS entram na rota do
desenvolvimento sustentável |
Promover o etno-desenvolvimento das comunidades remanescentes de quilombos, fortalecer sua
identidade e ampliar o poder de compra. Esses são alguns dos objetivos do Quilombolas em
Rede - Projeto Compras Coletivas, que será lançado na próxima quarta-feira (18) em
Porto Alegre (RS). Baseado em três eixos (temática racial e quilombola, fortalecimento
da identidade cultural e economia solidária e agricultura), o projeto leva em
consideração as múltiplas dimensões das comunidades.
A secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde
Ribeiro, participa do evento, que contará com a presença de uma série de autoridades.
Na etapa atual, o projeto envolve 20 comunidades, sendo que duas fazem parte do projeto
piloto iniciado há um ano.
A execução do projeto será por meio de uma rede de ONGs (organizações
não-governamentais) do Movimento Negro, identificadas dentro do Conselho Gestor Estadual
pela Auto-sustentabilidade das Comunidades Remanescentes de Quilombos, do Rio Grande do
Sul. A coordenação geral é de responsabilidade da Delegacia Regional do Trabalho (RS) e
da ONG. O projeto foi um dos vencedores do prêmio Petrobras Fome Zero, realizado em 2004.
| |
Lançamento do Quilombolas em Rede - Projeto Compras Coletivas
Data: 18 de maio
Horário: 13h30
Local: Associação Literária São Boa Ventura (Capuchinhos), rua
Paulino Chaves, 291, Santo Antônio, Porto Alegre, RS |
|
(voltar) |
Jovens talentos do esporte batalham por um lugar
de destaque na Copa CPLP de Futebol, em Brasília |
Centenas de jovens do Brasil, da
África e da Europa com um sonho em comum: fazer carreira como jogador de futebol. Mais do
que isso, eles comemoram suas vitórias ou lamentam uma derrota no mesmo idioma, o
português. Ainda que, no auge da alegria, alguns gritem "gol!", e outros,
"golo!", como se faz em Portugal. Esses jovens, com idade entre 16 e 17 anos,
jogam representando seus países na Copa CPLP (Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa) de Futebol, a partir de segunda-feira (16), em Brasília.
A Copa é uma realização da CPLP em parceria com diversas instituições, como a
Anceabra (Associação Nacional dos Coletivos de Empresários e Empreendedores
Afro-brasileiros) e a UnB (Universidade de Brasília) e tem o apoio da Seppir (Secretaria
Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial ) da Presidência da República e
do Ministério do Esporte.
A competição terá a participação de equipes dos seguintes países membros da CPLP:
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
Por sediar o evento, o Brasil será representado em campo por duas seleções, a do
projeto de Comunidades Carentes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a de
Brasília. Entre atletas e dirigentes, a Copa reunirá cerca de 250 pessoas. Os jogos
serão realizados no clube da Agepol e no estádio Mané Garrincha, na capital federal.
Os atletas vêm a Brasília não apenas para a disputa em campo. Uma série de atividades
culturais e esportivas estão previstas. Eles visitarão pontos turísticos, participarão
de palestras com profissionais e assistirão a uma sessão exclusiva no Cine Brasília do
filme Pelé Eterno.

|
|
|
Bola pra frente - O
moçambicano
Abdul Remane Nuro Abdul não desiste
da carreira de jogador, apesar das dificuldades que enfrenta em seu país. |
Pelé, que gravou uma
mensagem especial aos jovens para ser exibida antes do filme é, aliás, um dos ídolos de
Abdul Remane Nuro Abdul, meio-campo da seleção moçambicana, a primeira delegação
estrangeira a desembarcar no Brasil, na última quinta-feira (12). Além de Pelé, Abdul
se espelha também na figura de Eusébio da Silva Ferreira, o "Pantera Negra",
nascido em Moçambique quando o país ainda era colônia portuguesa. Eusébio foi um dos
maiores artilheiros da seleção de Portugal.
Apesar de nutrir o desejo de poder viver e jogar em seu país natal, Abdul acredita que,
como Eusébio, o caminho do sucesso no futebol não está nos campos do seu país.
"A minha opção é estudar e continuar treinando, mas não se sustenta uma família
no meu país jogando futebol", afirma Abdul, que representa Moçambique pela primeira
vez numa competição internacional. Em paralelo à carreira nos campos, ele pretende
trabalhar em instituições financeiras.
"Essa é a situação: eu tenho que investir nas opções. Se eu me der bem em uma
delas, continuo nela. Se não me der bem em nenhuma, continuo nas duas", diz o jovem
jogador das categorias de base do Grêmio Desportivo de Maputo, time da primeira divisão
do campeonato moçambicano, que, apesar das dificuldades, está ansioso para entrar em
campo na Copa CPLP.
Para Abreu Júnior, coordenador de seleções da Federação Moçambicana de Futebol, o
país vive um momento de reconstrução, inclusive no esporte, já que a guerra civil, que
durou desde a independência, em 1975, até 1992, deixou feridas ainda não cicatrizadas.
"Estamos reconstruindo o país. Mesmo os estádios de futebol estavam todos em
ruínas ao fim da guerra", diz Abreu, referindo-se aos conflitos que mataram mais de
um milhão de pessoas e deixaram outros milhões de refugiados.
O coordenador de seleções acredita que a Copa CPLP será uma experiência única para
muitos dos jovens que estão no Brasil.
"Esses 'miúdos' não tem o que escolher, nunca tiveram nada além de
motivação", declara, com seu português peculiar.
Mais informações sobre a Copa pode ser obtidas no site oficial do evento. |
(voltar) |
Comissão Tripartite tem primeira reunião de trabalho |
Tem inicio na próxima quarta-feira (18), em Brasília, o primeiro encontro de trabalho da
Comissão Tripartite de Igualdade de Oportunidade e de Tratamento de Gênero e Raça no
Trabalho. O objetivo é construir um documento de referência de ação, a partir de eixos
temáticos, envolvendo três segmentos, que envolvem políticas públicas na área do
trabalho, promoção de campanha para o preenchimento adequado da Rais (Relação Anual de
Informações Sociais) e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e
discussão das ações afirmativas.
A fim de concretizar essas propostas, o encontro busca difundir e homogeneizar
informações entre todas e todos participantes da comissão e a elaboração de eixos
temáticos para compor o Documento de Referência de Ação.
A comissão é formada por representares do Governo, entidades patronais e sindicais. Tem
como meta a implementação da Convenção 111 da OIT (Organização Internacional do
Trabalho) que trata da discriminação na profissão e no emprego. Foi criada por decreto
presidencial em 20 de agosto de 2004 e tem caráter consultivo.
"A nossa expectativa é formatar as diretrizes de um acordo para a inserção dos
temas gênero e raça nas políticas de trabalho no Brasil", afirma João Carlos
Nogueira, subsecretario de Políticas de Ações Afirmativas da Seppir (Secretaria
Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) da Presidência da República.
Ele conta que a comissão é um dos mais importantes instrumentos para a o tratamento dos
temas pois tem a presença de todas as partes envolvidas.
A implantação da convenção 111 no mundo levou em consideração somente a questão de
gênero. No Brasil, a questão de raça foi introduzida de forma pioneira.
A comissão tem como objetivos: incentivar a inclusão das questões de gênero, raça e
etnia, na programação, execução, supervisão e avaliação das atividades
implementadas pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego); incentivar e subsidiar
iniciativas parlamentares sobre o tema; apoiar e incentivar as iniciativas adotadas por
órgãos e entidades, inclusive da sociedade civil; e promover a difusão da legislação
sobre o tema.
|
PROGRAMAÇÃO |
18 de maio
9h - Abertura
9h30 - Painel 1 "Conceituação: gênero, raça e coleta do quesito cor e
sexo"
Expositor: Ana Sabóia (IBGE) e Rafael Osório (Ipea)
11h - Painel 2 "Diagnóstico do Mercado de Trabalho com recorte
em gênero e raça"
Expositora: Lais Abramo (OIT)
13h45 - Painel 3 "Políticas Afirmativas na perspectiva de
gênero e raça"
Expositora: Vera Soares (Unifem)
15h30 - Grupos de Trabalho - levantamento de propostas dos Eixos Temáticos
17h - Painel 4 "Ética nas Relações de Trabalho"
Expositor: Oded Grajew (Instituto Ethos)
|
19 de maio
8h30 - Painel 5 "Legislação, Tratados e Conveções"
Expositores: Hédio Silva Junior (Ceert) e Cristian Ramos (OIT)
10h45 - Socialização dos trabalhos em grupo
11h30 - Trabalho Coletivo: Elaboração do Documento de Referência
da Comissão Tripartite
14h - Continuação do Trabalho
16h30 - Aprovação do Documento
|
| |
| |
1º Encontro de Trabalho da Comissão Tripartite de Igualdade de Oportunidade e de
Tratamento de Gênero e Raça no Trabalho
Data: 18 e 19 de maio
Horário: dia 18 das 9h às 18h, dia 19 das 8h30 às 17h
Local: hotel Comfort Suites, SHN,
Quadra 04, Bloco D, Brasília - DF |
|
(voltar) |
"Maio da igualdade racial" continua agitado com
a realização de conferências em cinco Estados
por Ivonne Ferreira |
Esta semana, mais cinco Estados brasileiros
entram na arena de discussões e propostas por políticas de promoção de igualdade
racial. A realização das conferências estaduais de promoção da igualdade racial no
Espírito Santo, Paraná, Acre, Rio Grande do Norte e Mato Grosso, garantirá a
participação dos representantes da sociedade civil, municípios e governos, eleitos em
cada Estados, na 1a Conferência Nacional de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial, em Brasília. Além disso, cada Estado formulará propostas que indiquem
os caminhos para a igualdade racial tanto no âmbito local, como nacional.
A ministra Matilde Ribeiro da Seppir (Secretaria Especial de Promoção de Igualdade
Racial) da Presidência da República, analisa que o resultado obtido até agora é
extremamente positivo e rico por ter proporcionado um amplo debate entre os diversos
grupos envolvidos com a temática.
"O processo das conferências estaduais revela-se com um estuário valiosíssimo para
a proposição de ações nas mais diversas áreas onde o tema promoção da igualdade
racial tem que ser inserido na vida pública brasileira", afirma a ministra.
Espírito Santo
O Estado do Espírito Santo será o primeiro da região Sudeste a realizar a conferência
de promoção de igualdade racial. Segundo Daise Muzzi, secretária executiva da comissão
organizadora da conferência, foram realizadas 11 consultas regionais em todo o Estado com
a participação de 58 municípios. No total, foram eleitos 393 delegados que deverão
participar do evento no próximo final de semana (14 e 15) e concorrer a 21 vagas: 10 para
representantes da sociedade civil e 11 para representantes dos governos municipais e
estadual.
Para Muzzi, as discussões provocadas pela conferência no Espírito Santo resultarão na
elaboração de políticas de igualdade racial no Estado.
"A sociedade civil está bem organizada e existem muitas reivindicações neste
momento. Espero que as discussões sejam calorosas, do ponto de vista do crescimento, do
aprendizado e da mudança. Pretendemos sair da conferência com uma relação mais forte
com a sociedade civil e implementar muitas das reivindicações de políticas de igualdade
racial", confia Muzzi.
A Comissão Organizadora prevê a participação de cerca de 500 pessoas na conferência
estadual. A ministra Matilde Ribeiro participa da abertura da Conferência, no sábado. As
presenças dos palestrantes e professores de Relações Raciais já foram confirmadas.
Entre eles, os professores Hélio Santos (São Carlos-SP), Amauri Mendes Pereira (Cândido
Mendes-RJ) e Paula Oliveira do Ceert (Centro de Estudos das Relações Raciais do Trabalho
e Desigualdade).
Paraná
O Estado do Paraná inicia a discussão da igualdade racial na região Sul também neste
final de semana (14 e 15), após ter realizado quatro conferências regionais sediadas em
Ponta Grossa, Cascavel, Londrina e Curitiba. Nessas regionais, foram eleitos 82 delegados
que representarão os negros, os indígenas, os brancos, os ciganos, os islâmicos e os
amarelos.
De acordo com Roberto Fonseca, coordenador executivo da conferência no Paraná, o Estado
já vem lidando com essas questões há dois anos e esta será uma ótima oportunidade de
revisão e criação de novas políticas para o setor.
"A Secretaria de Assuntos Estratégicos foi criada com a finalidade de lidar com os
discriminados da sociedade paranaense. Temos uma vivência com esses grupos e conhecemos
suas expectativas", afirma Fonseca.
O Estado do Paraná se compromete a implementar as propostas de políticas públicas
resultantes da conferência.
Acre
Na região Norte, o Estado do Acre continua a trilha traçada pelos Estados do Amazonas,
Amapá e Pará e realiza nesta semana, de quarta à sexta, a conferência estadual de
políticas de promoção de igualdade racial.
A Comissão Organizadora do Acre, cuja coordenadora-executiva é Mara Vidal, secretária
extraordinária da mulher, afirma que foram realizadas quatro plenárias regionais nas
cidades de Brasiléia, Juruá, Tarauacá e na capital, Rio Branco. No total foram eleitos
200 delegados.
Mara Vidal comemora o sucesso obtido nas consultas regionais e acredita no fortalecimento
da diversidade étnica e religiosa da população acreana.
"Nós resgatamos a presença da população negra local, como a história dos negros
barbadianos - negros oriundos de Barbados que trabalhavam na Estrada de Ferro da
Madeira-Mamoré a partir de 1872. Resgatamos também a história dos sírio-libaneses, que
possuem uma forte presença no Estado e incentivamos a participação da população
indígena. Vimos que, pela primeira vez, houve um questionamento da composição étnica e
religiosa da nossa população", diz Vidal.
Rio Grande do Norte
No Nordeste, o Rio Grande do Norte é o sexto Estado que realiza a conferência de
Promoção da igualdade racial na região. Desde novembro, já foram realizadas
conferências no Alagoas, Ceará, Sergipe, Piauí e Maranhão.
Fábio dos Santos, coordenador de Direitos Humanos e Defesa das Minorias da Secretaria de
Justiça e Cidadania do Estado, enaltece este momento que o país vive, de discussões e
propostas de igualdade racial, é muito importante e o aspecto da coletividade não deve
ser esquecido.
"Tratamos da igualdade racial considerando a dívida moral, social e econômica que
temos em relação as populações negras, indígenas e também cigana. Foi importante ter
feito um contato direto com essas populações. Elas são socialmente invisíveis no nosso
Estado. O plano da igualdade racial que estamos construindo no país, não foi elaborado
em gabinete e imposto para sociedade, mas realizado conjuntamente", analisa Santos.
Para a conferência estadual, a comissão organizadora realizou três conferências
municipais, dez plenárias em comunidades quilombolas, quatro em comunidades indígenas e
três em espaços habitados pelos ciganos. Duzentos e vinte delegados eleitos, irão
participar da conferência estadual do Rio Grande do Norte no próximo final de semana.
Mato Grosso
O Estado do Mato Grosso realiza a conferência estadual de quinta (19) a sábado (21)
após ter realizado 11 conferências municipais, com a participação de 110 municípios
de todo Estado. Segundo Francisco Assis de Oliveira, presidente do Conselho do Negro e da
Federação de Umbanda e Candomblé do Mato Grosso, esta conferência pode ser traduzida
como um reconhecimento dos governos federal, estadual e municipais para a urgência em se
discutir a questão racial no Brasil. De acordo com ele, no Mato Grosso a discussão terá
um enfoque maior nas questões de religiosidade e no resgate historio, cultural e
lingüístico da população afro-descendente.
"Porque os negros só são estimulados a estudar inglês ou francês? Temos que
resgatar nossa língua e estudar também o iorubá", convoca Oliveira.
Estão programadas para o dia 20, duas palestras sobre a realidade da população negra no
Brasil e da população negra mato-grossense. Já no dia 21, o tema será: consciência
fiscal na construção da cidadania.
Por dentro das conferências
estaduais
| |
Espírito Santo
Data: 14 e 15 de maio
Horário: abertura às 9h
Local: Hotel Praia Sol, Nova
Almeida no Município da Serra, 30 min. de Vitória, ES
Informações: (27) 3380-21576 |
| |
Paraná
Data: 14 e 15 de maio
Horário: abertura às 20h
Local: Hotel Paraná Suíte, rua
Lourenço Pinto, 456-B, Centro. Curitiba, PR
Informações: (41) 322-4242 ou 350-1263 |
| |
Acre
Data: 18 a 20 de maio
Horário: abertura às 18h
Local: anfiteatro Garibaldi
Brasil, Campus da Universidade Federal do Acre, Rodovia BR 364, Km 7, Rio Branco, AC
Informações: (68) 3223-8874 |
| |
Rio Grande do Norte
Data: 20 e 21 de maio
Local: Praia Mar Hotel, rua
Francisco Gurgel, n° 33, Ponta Negra, Natal, RN
Informações: (84) 232-2836 ou 3219-2230 |
| |
Mato Grosso
Data: 20 e 21 de maio
Horário: abertura às 8h
Local: Hotel Mato Grosso ou
Balneário Águas Quentes
Informações: (65) 644-4465 |
|
(voltar) |
..
A DESIGUALDADE EM NÚMEROS |
Negros
longe dos postos de direção
Proporção de negros e não-negros ocupados em postos de
trabalho de direção e planejamento -1998 |
Região |
negros* |
não-negros |
Salvador
São Paulo
Distrito Federal
Recife
Belo Horizonte
Porto Alegra |
5,9
8,7
15,1
8,9
8,8
6,9 |
21,4
18
25,4
29,2
22,4
18,8 |
(*) negros (pretos e pardos); não-negros (brancos e amarelos/orientais)
Fonte: Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos) e Inspir (Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial) |
|
(voltar) |
As paulistanas Airucy Bárbara Diogo Casimiro, de 18 anos, estudante de Direito (à
esquerda), e sua irmã, Amarílis Helena Diogo Casimiro, de 15 anos, estudante do ensino
médio, ilustram com seus sorrisos a foto ao lado da logomarca do Destaque Seppir.
Leia as edições anteriores:
36 - 35 - 34 - 33 - 32 - 31 - 30 -29 -28 - 27 - 26 - 25 - 24 - 23 - 22 - 21 - 20 - 19 - 18
- 17
- 16
- 15
Clique aqui para voltar à edição desta semana do Destaque
Seppir |
|
Assessoria de
Comunicação Social da Seppir
Jornalista Responsável: Cláudio Eugênio
Assistente: Osmar Camelo
Colaboradora: Graça Ohana - Seppir
Telefone: (55 61) 411-4977 |
 |
|
Caso
você queira esclarecer dúvidas ou dar sugestões, clique aqui |
|