Boletim informativo semanal da
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
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A cultura brasileira e, logicamente, a rica música que se faz e consome no país
estruturam-se a partir de duas básicas matrizes africanas, provenientes das
civilizações conguesa e iorubana.
A primeira sustenta a espinha dorsal dessa música, que tem no samba sua face mais
exposta. A segunda molda, principalmente, a música religiosa afro-brasileira e os estilos
dela decorrentes.
Entretanto, embora de africanidade tão expressiva, a música
popular brasileira, hoje, ao contrário da afro-cubana,
por exemplo, distancia-se cada vez mais dessas matrizes.
E caminha para uma globalização tristemente enfraquecedora.
Nei Lopes, compositor, cantor e pesquisador de música popular |
NESTA EDIÇÃO ESPECIAL:

Confira mais notícias e um álbum
de fotos da Conferência no site da Seppir |
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Agenda cultural da Conferência foi apoteose de alegria
para momento histórico do povo brasileiro (Leia Mais)
Painel Internacional aponta igualdade racial como fator
decisivo para o alcance dos Objetivos do Milênio (Leia Mais)
Filhas do Vento espalha seu encanto na Conferência
(Leia Mais)
Montagem da peça Os Negros, de Jean Genet,
é momento antológico do teatro brasileiro
(Leia Mais)
A DESIGUALDADE EM NÚMEROS - (Leia Mais)
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Agenda
cultural da Conferência foi apoteose de
alegria para momento histórico do povo brasileiro |

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Cartaz oficial da Conferência. |
Foram três dias inesquecíveis e que já entraram para a história da luta pela
promoção da igualdade racial no Brasil. Brasília, em momento impar e dias secos, foi
testemunha de um dos eventos públicos mais importantes desde a criação da Seppir
(Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) da Presidência da
República, em 2002. A minha, a sua, a nossa 1ª Conferência Nacional de Promoção da
Igualdade Racial teve encerramento de uma beleza inesquecível. A programação cultural
oficial foi a expressão mais contemporânea e fascinante do nosso teatro, cinema e, é
claro, nossa música.
A magia do cinema teve espaço, em primeira mão em
Brasília, com o emblemático, belo e obrigatório filme Filhas do Vento,
dirigido pelo abridor de caminhos Joel Zito Araújo . A peça Os Negros, de Jean
Genet, trouxe mais reflexão e beleza pelas mãos do agitado farol, o diretor Luiz Pilar.
É um trabalho que deveria ser encenado em praças públicas por todo o País tal a sua
contundência e importância (leia mais sobre o filme e a peça nesta edição do Destaque Seppir).
A expressão cultural de toda a diversidade nacional esteve presente desde a abertura da
Conferência, com apresentações de canto e dança de negros, indígenas, ciganos, judeus
e árabes-palestinos. Um grupo de crianças angolanas com deficiência visual fez com que
o público entoasse em coro sua veneração pela Mãe África. O Marabaixo, dança e canto
típicos dos quilombolas amapaenses, foi um dos momentos marcantes. Os religiosos de
matriz africana, tendo à frente mãe Beata de Iemanjá, do Rio de Janeiro, roubaram a
cena numa quebra de protocolo que caiu como uma luva: tiraram uma cantiga a Oxalá, o
orixá que mantém as portas abertas para a criação, diante do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e da secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial,
ministra Matilde Ribeiro.
A força da nossa ancestralidade africana, que contribuiu para formar a música
brasileira, marcou o encerramento da Conferência com um show visceral, marcado pela
emoção dos participantes. Foram momentos mágicos onde representantes de algumas das
vertentes mais importantes de nossa cultura trouxeram de alguma maneira a Brasília toda a
energia que magnetiza o mundo com um dos nossos maiores tesouros, a inventividade e
criação do povo negro, que mesmo tendo passado por uma das mais odiosas etapas de nossa
história, a escravidão, não parou e não pára de criar. A Esplanada dos Ministérios
foi o cenário final para celebrar o evento, que plantou sementes importantes na longa
jornada para transformar o Brasil em uma nação onde a igualdade de direitos seja um dos
seus mais lustrosos valores. Salve Zumbi dos Palmares, é ele um dos construtores da longa
estrada que percorremos.
Estavam todos lá
A festa final de encerramento começou na noite de 2 de julho e entrou madrugada adentro
poucas horas antes do amanhecer na capital federal. Que foi palco par à excelência da
diversidade musical afro-brasileira e de manifestações tradicionais. Em plena Esplanada
dos Ministérios, o show foi momento de interação entre os participantes da Conferência
que já no sábado ensaiavam pelos largos corredores do monumental Centro de Convenções
Ulysses Guimarães as mais diversas cantorias, danças e batuques. Manifestações
espontâneas de pura alegria, em paralelo à programação oficial. Uma demonstração da
inventividade e criatividade que nos abençoam e se tornaram instrumento para a
perpetuação de uma parte de nossa cultura.
Na noite de sábado, na platéia e nos bastidores, o clima era um misto de emoção e
vitória por termos participado de um marco na luta pela Promoção da Igualdade Racial no
Brasil. Grupos regionais trouxeram ao palco um colorido de cantos.
Numa mistura de hits e perfomances urbanas, a singeleza brasileira característica de
talentos genuínos nem sempre evidenciados pela mídia encantaram a platéia num clima de
imersão cultural, na mesma linha de encontros como o Fórum Social Mundial.
A sincronia moderna ficou sob as batidas do Hip Hop. Com palavras de ordem, presença de
palco e letras pra lá de inteligentes, Nega Gizza aqueceu o público com o balanço do
autêntico rap. Na mesma freqüência, Rappin´Hood empolgou ao relembrar sucessos e
recriar o ambiente despojado do Hip Hop.
Um dos pontos altos da noite foi o show da fundamental sambista Leci Brandão, que já
havia conquistado o público da Conferência com seu discurso durante a cerimônia de
abertura. Porta-voz da sociedade civil e de grupos discriminados, Leci fez uma incursão
por antigos e novos sucessos. Entre uma pausa e outra, a artista reafirmou o seu
comprometimento com a luta anti-racista e superação das desigualdades sociais tanto nos
momentos de conversa com a platéia quanto nas letras politizadas ao som do tamborim e do
tantam.
Num instante memorável, a Velha Guarda da Portela foi aclamada pela galera, levando todos
ao delírio ao som de canções africanas. O grupo de elite da azul e branco carioca foi
homenageado pela Seppir e CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial) na
Conferência numa reverência à sabedoria e respeito à ancestralidade afro-brasileira.
Sem baixar a temperatura, o grupo Fundo de Quintal recuperou clássicos da trajetória de
25 anos de sucessos do samba de raiz. Numa cena antológica, o grupo dividiu o palco com a
Velha Guarda da Portela, que graciosamente completou o espetáculo com o "samba no
pé" e a ginga carioca. O "gran finale" ficou a cargo da banda Olodum, que
levou à Esplanada dos Ministérios a energia do samba reggae baiano e o ritmo afoxé.
colaborou Isabel Clavelin
Com a palavra, as
estrelas negras: |
Nega Gizza |
Fiel Bailarino (Nega Gizza) |

Foto:
Divulgação
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Sua moça sentiu que a cobra ia fumar
Foi embora e deixou você sozinho pra lá
Na caxanga vazia e um bilhete na porta
Te deixou porque estava na vida torta
Trancado em casa rolando pra lá e pra cá
Só parava pra sentar, pra bater e cafungar
Os amigos da boca estavam atrás de um suspeito
Um parceiro seu tinha levado um tiro no peito
Tava silenciosa a madrugada na favela
Um Impala sinistro freou na sua janela
e agora, não há mais aonde se esconder
Debaixo da cama ou no banheiro, você vai morrer
Tiros de escopeta varava a madrugada
A vizinhança assustada, ninguém falava nada
No dia seguinte um vizinho me chama
Eu fui lá ver você todo furado na lama
A morte parecia te chamar pra dançar
Como um fiel bailarino, não conseguiu recusar
Agora estou aqui, acompanhando o velório
Descanse em paz, boa viagem. Vai pro dormitório |
Sou Negrão (Rappin' Hood) |
Rappin' Hood |
Subi
o morro pra cantar (o rap ahh, o rap ahh)
Que é pra malandro se ligar (o rap ahh, o rap ahh)
Que malandragem é trabalhar (o rap ahh, o rap ahh)
E a pivetada estudar
Não tenho toda malandragem de Bezerra da Silva
Nem o canto refinado de Paulinho da Viola
Sou só mais um neguinho pelas ruas da vida
Que quer se divertir, fazer um som e jogar bola
Rappin' Hood sou, hã, sujeito homem
Se eu tô com o microfone é tudo no meu nome
Sou Posse Mente Zulu, se liga no som
Sou negrão, certo, sangue bom
20 de novembro temos que repensar
A liberdade do negro, tanto teve de lutar
O negro não é marginal, não é perigo
Negro ser humano, só quer ter amigo
Na antiga era o funk, agora é o rap
Vem puxando o movimento com o negro de talento
O negro é bonito quando está sorrindo
Como versou Jorge Ben, o negro é lindo |

Foto: Jader Nicolau
Jr./PortalAfro |
Leci Brandão |
Zé do Caroço
(Leci Brandão) |

Foto: Jader Nicolau
Jr./PortalAfro |
No serviço de
auto-falante
Do morro do Pau da Bandeira
Quem avisa é o Zé do Caroço
Que amanhã vai fazer alvoroço
Alertando a favela inteira
Como eu queria que fosse em Mangueira
Que existisse outro Zé do Caroço (Caroço, Caroço)
Pra dizer de uma vez pra esse moço
Carnaval não é esse colosso
Nossa escola é raiz, é madeira
Mas é o Morro do Pau da Bandeira
De uma Vila Isabel verdadeira
O Zé do Caroço trabalha
O Zé do Caroço batalha
E que malha o preço da feira
E na hora que a televisão brasileira
Distrai toda gente com a sua novela
É que o Zé põe a boca no mundo
Ele faz um discurso profundo
Ele quer ver o bem da favela
Está nascendo um novo líder
No morro do Pau da Bandeira
Está nascendo um novo líder
No morro do Pau da Bandeira |
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Por todos os santos (Nelson Rufino/Carlinhos Santana) |
Fundo de
Quintal |
Pelo
Santo maior da Bahia, Rei Momo que é Rei da Folia
Que sabe até Mestre Marçal, Candeia, Dandara, Janaina
Omolu, toda Força Divina, vem logo pra curar meu mal
Por Oxossi, que é Rei de Aruanda,
Ogum, defensor de demanda
Escrava Anastácia, Oxum, Zumbi, grande Deus dos Palmares
Rainha Mãe dos 7 mares, volta sem fazer zum zum zum
Leva meu pranto...
Por Senhora da Penha, do Rio de janeiro
Que é festa em Janeiro pro guerreiro São Sebastião
Por Nanã, Yansã, Xangô, Iroco
Retorna me dá só um pouco de paz pra esse meu coração
Por Tupã, Jeová, Zambi, Olorum, Mangueira, Portela, Olodum
Pade Ciço de lá do sertão, Joãozinha da Goméia, Menininha
Seu sete, dou sete velinhas. Eu quero é reconciliação |

Foto:
www.fundodequintal.com.br |
Olodum |
Faraó
divindade do Egito (Olodum) |

Foto: Jader Nicolau
Jr./PortalAfro
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Deuses
Divindade infinita do universo
Predominante
Esquina mitológico
A ênfase do espírito original
Exu
Formará do Eden um novo cósmico
A emersão
Nem Osíris sabe como aconteceu
A ordem ou submissão
Do olho seu transformou-se
Na verdadeira humanidade
Hum Pelourinho
Uma pequena comunidade
Que porém Olodum um dia
Em laço de confraternidade
E nas cabeças
Enchei-se de liberdade
O povo negro pede igualdade
Deixando de lado as separações |
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Painel Internacional aponta igualdade racial como
fator decisivo para o alcance dos Objetivos do Milênio |

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Labaredas - Sobriedade
com veemência na fala do mestre Abdias Nascimento, durante o encontro: "Não temos
democracia. Temos, sim, uma nação afrodescendente encurralada nessa teia de
dominação". Foto: Carlos Tibúrcio/Redactor |
Tratar da estreita relação entre o combate às desigualdades raciais e a implementação
dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio a serem cumpridas até 2015 foi a razão que
trouxe a Brasília especialistas de todo o mundo, entre os dias 28 e 29 de junho, no
painel internacional Ações Afirmativas e os Objetivos do Milênio, que antecedeu a 1a
Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. A mesa de abertura, conduzida
pela secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra
Matilde Ribeiro, explicitou o avanço na discussão e proposição de políticas.
O tratamento da agenda da igualdade racial não aparece de maneira direta (nos
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio). Temos como meta aprofundar a definição,
trazendo o componente racial na construção dessa agenda social e democrática,
afirmou a ministra Matilde Ribeiro.
Palestrante na mesa Proposições para as Políticas Públicas de Promoção da
Igualdade Racial, o mestre Abdias Nascimento, precursor nos debates sobre ações
afirmativas no Brasil, foi, como sempre, incisivo em seu depoimento e terminou aplaudido
de pé pelo público.
Abdias, de 91 anos, com toda sua experiência acumulada na militância e na política,
atacou o mito da democracia racial, cultivado especialmente por setores acadêmicos. Ele
afirmou que essa imagem "idílica" da escravidão não corresponde à realidade
sangrenta e cruel a que foi submetido o africano no País.
"Nós não temos democracia. Temos, sim, uma nação afrodescendente encurralada
nessa teia de dominação, sendo que estamos lutando para destruí-la e por um Brasil no
qual não exista uma minoria perdulária e maioria de famintos", afirmou.
Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, conjunto de metas estabelecidas pela ONU
(Organização das Nações Unidas), ratificados por líderes de 189 países no ano 2000,
durante a Cúpula do Milênio da ONU, são oito: erradicar a extrema pobreza e a fome;
atingir o ensino básico universal; promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das
mulheres; reduzir a mortalidade na infância; melhorar a saúde materna; combater o
HIV/Aids, a malária e outras doenças; garantir a sustentabilidade ambiental; e
estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.
Mas não foram só debates que marcaram o painel. Durante a cerimônia de abertura, a
Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) da
Presidência da República e o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância)
assinaram um acordo de cooperação para promoção da eqüidade e diversidade racial de
crianças e adolescentes brasileiros. A Seppir fechou ainda um projeto de cooperação
técnica internacional com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), para
elaboração de planos para desenvolvimento das comunidades remanescentes de quilombos,
com intuito de gerar oportunidades de emprego e trabalho para homens, mulheres e jovens.
Para Ana Falu, diretora regional para o Brasil e Cone Sul do Unifem (Fundo de
Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres), não basta que o Brasil apenas
combata a pobreza, mas também as desigualdades de raça e gênero.
São as mulheres, as mulheres pobres, especialmente as mulheres negras, que sofrem
com a falta de trabalho, habitação, saúde. Precisamos dar como resposta políticas
públicas urgentes, disse Falu.
Segundo Laís Abramo, diretora da OIT Brasil, a igualdade de gênero deve estar presente
de forma transversal em todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, porque a
pobreza atinge mais mulheres do que homens.
As mulheres têm mais dificuldade do que os homens de ter acesso a um trabalho
decente. A discriminação de gênero é em todo o mundo um fator fundamental que
determina uma maior vulnerabilidade à pobreza e dificuldades adicionais que as mulheres
enfrentam. É necessário incorporar também o outro tema central na discussão dos
Objetivos do Milênio, que é a questão racial, enfatizou Abramo, ressaltando que,
no Brasil, a questão racial envolve a maioria da população brasileira.
Também presente à abertura do encontro, o ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, lembrou que, em sua juventude, acreditava que não existiam problemas raciais no
Brasil e pensava que a resolução dos problemas sociais e raciais caminhavam
paralelamente.
"Hoje, a questão se coloca no sentido inverso. Se você resolver o problema racial,
você resolve, em grande parte, o problema social: grande parte dos pobres é negra, ou de
origem indígena ou de outras origens", afirmou.
Do global ao local
O encontro prosseguiu no dia 29, seguindo os temas: Cenário Internacional: A
Diversidade Racial e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio; Proposições
para as Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial; e Instrumentos
Nacionais e Internacionais de Promoção da Igualdade Racial.
O vice-primeiro ministro da cultura de Cuba, Rafael Bernal Alemany, afirmou que é preciso
acelerar o "passo", pois as tarefas que os países têm para cumprir as metas
são "colossais". Ele lembrou que no mundo inteiro ainda existem 2,4 milhões de
pessoas sem saneamento e 850 milhões de analfabetos. "Teremos que ser nobres para
nos entregar a essa tarefa", afirmou.
Já o embaixador Musa Amer Salim Odeh, da delegação especial da Palestina no Brasil,
afirmou durante o painel que a comunidade internacional não faz esforços para ajudar o
povo palestino.
"Nossos objetivos são similares ao da África. O que estamos vivendo é similar ao
apartheid africano, mas sem o apoio da comunidade internacional, sem o qual é impossível
que esse apartheid caia", disse Odeh.
A ministra de assuntos sociais da República dos Camarões, Catherine Bakang Mbock, expôs
a necessidade do debate sobre a luta contra Aids. Essa é uma das principais demandas
sociais de seu país e um dos grandes desafios enfrentados pelo Continente Africano na
atualidade. O encontro aconteceu no auditório da Finatec (Fundação de Empreendimentos
Científicos e Tecnológicos) dentro da UnB (Universidade de Brasília).
Clique aqui para ver toda a programação do painel intenacional Ações
Afirmativas e os Objetivos do Milênio.
com informações de Irêne Lobo (Agência Brasil), Boletim Eparrei on line e Isabel
Clavelin
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Filhas do Vento espalha seu encanto na Conferência |

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Aclamado - Filhas
do vento ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Gramado deste ano. O diretor
Joel Zito Araújo (esq.), levou o prêmio de melhor diretor. Milton Gonçalves (dir.), o
de melhor ator. Foto: Divulgação |
O filme Filhas do Vento, do cineasta Joel Zito
Araújo espalhou sua magia durante apresentação exclusiva para os participantes da 1ª
Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, no dia 30 de junho. Cerca de 250
pessoas assistiram ao trabalho no grande auditório. A obra reúne o maior elenco de
atores negros já visto no Brasil e retrata a vida de uma família negra entre os anos
1960 e 70.
Esse longa é um desejo meu há tempos. Nele faço uma nova leitura da questão
racial no Brasil e promovo um aumento da auto-estima dos afro-brasileiros", afirmou
Araújo ao Destaque Seppir. Ele conta que fez questão de apresentar o trabalho para os
participantes da Conferência como forma de referenciar e retribuir ao povo negro por sua
história de luta contra as desigualdades.
Na conferência, pela primeira vez na minha história, tive a felicidade de discutir
políticas anti-racistas com representantes de toda a nossa diversidade como indígenas,
ciganos, árabes, palestinos, judeus e outros tantos, afirma Araújo. Segundo ele,
nestas arenas normalmente só se encontram os negros.

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Maestria - A
atuação de Ruth de Souza (esq.) lhe rendeu um prêmio de melhor atriz em Gramado. Na
foto, ela contracena com Maria Ceiça. Foto: Divulgação |
O longa-metragem tem o apoio da Seppir
(Secretaria Especial Políticas de Promoção da Igualdade Racial) da Presidência da
República e deverá estrear no Brasil em setembro no circuito comercial. No Festival de
Gramado deste ano, Filhas do Vento foi ovacionado e recebeu oito Kikitos.
O filme trata da saga de uma família de Lavras Novas (MG), da qual o patriarca é o ator
Milton Gonçalves, em exuberante atuação. A história é marcada por rivalidades
internas, brigas, separações e redenção. No elenco de tirar o fôlego estão: Ruth de
Souza, Léa Garcia, Maria Ceiça, Taís Araújo, Kadu Carneiro e Rocco Pitanga, entre
outros. Foi inspirado inicialmente na história verdadeira de Ruth de Souza, que saiu do
interior para se tornar uma grande atriz no Rio de Janeiro, onde viveu todo o tipo de
preconceitos que maltratam o desavisado que tentar entrar no restrito mercado de trabalho
dos atores.
O desempenho do elenco é uma história à parte, mas não tem como não destacar a
atuação de duas das nossas damas da cultura nacional: as atrizes Ruth de Souza e Léa
Garcia. A obra é um marco e simplesmente imperdível.
Ficha técnica |
| Filme: Filhas do Vento |
| Direção: Joel Zito Araújo |
| Elenco: Ruth de Souza, Léa
Garcia, Milton e Maurício Gonçalves, Taís Araújo, Maria Ceiça, Thalma de Freitas,
Elisa Lucinda e Kadu Carneiro |
| Roteiro: Di Moretti |
| Produção: Márcio Curi e Carla
Gomide |
| Produtora: Asa Cinema e Vídeo |
| Direção de fotografia: Jacob
Solitrenick |
Previsão de estréia em
circuito comercial: setembro de 2005 |
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Montagem da peça Os Negros, de Jean Genet,
é momento antológico do teatro brasileiro |

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Faces - Parte do
elenco de Os Negros: a partir da esquerda, Patrícia Costa, Sérgio Menezes,
Nívea Helen, Maurício Gonçalves e Sarito Rodrigues. Foto: Vantoen Pereira Jr. |
Brasília assistiu, durante a 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial,
à histórica e obrigatória montagem de Os Negros, um dos mais importantes
textos para teatro do francês Jean Genet, sob direção do irrequieto e batalhador
diretor Luiz Pilar. A peça foi encenada durante dois finais de semana no teatro do CCBB
(Centro Cultural Banco do Brasil). Veio completa do Rio de Janeiro, onde estreou em abril
e teve 60 apresentações, incensadas pela crítica especializada e pelo público. Primeira
montagem brasileira, já faz parte da história do teatro nacional.
"Foi muito importante ter apresentado a obra durante a Conferência por conta de
atingirmos um público bem mais diversificado vindo de todo o Brasil e abordarmos a
questão da igualdade racial por meio do teatro", afirma Pilar, um dos únicos
diretores negros que conseguiram espaço para atuar na grande mídia.
Segundo Pilar, muita gente fora do eixo Rio-São Paulo teve a oportunidade de conhecer o
trabalho. A peça volta a ser encenada em setembro na abertura do Festival de Teatro de
Porto Alegre. Em outubro, segue para uma temporada em São Paulo.
No elenco raríssimo, formado por um estelar grupo de atores negros, estão: Sergio
Menezes, Iléa Ferraz, Maurício Gonçalves, Maria Ceiça, Romeu Evaristo, Patrícia
Costa, Nívia Helen, Sarito Rodrigues, Deoclides Gouvêa, Jozé Araújo, Audri da
Anunciação, Lincoln Oliveira e Jorge Lucas. O palco, além de todas as estrelas, teve
cenografia, figurino e iluminação especiais.
"O mercado de trabalho para o negro já não é fácil, imagine então a situação
dos que escolhem o caminho do mundo das artes?" pergunta Pilar. Para ele, as
condições de trabalho nesta área sofreram deterioração nos últimos anos por conta de
um discurso de responsabilidade social e politicamente correto feito pelos produtores.
"Agora até os papéis que eram ocupados pelos artistas negros já não são mais
garantidos", explica.
O caminho apontado pelo diretor para a mudança deste quadro é a melhor distribuição de
renda no país. "Os atores negros querem ampliar os seus horizontes profissionais,
temos que ser inseridos em toda a cadeia produtiva e para isso é necessário
dinheiro", analisa.
Segundo Pilar, a representação do negro no mundo das artes continua a ser estereotipada.
"A associação do negro com a violência parece natural, mas não é. Ela reforça o
preconceito em obras que se dizem engajadas", esbraveja esse carioca de 44 anos.
Multimídia, ele batalha em várias frentes pela mudança da visão distorcida que os
meios de comunicação passam sobre a população negra. "Eu tento demonstrar isso
com o humor que a peça tem. Segundo Genet é uma palhaçada a afirmativa de que uma etnia
é mais poderosa do que a outra", afirma o diretor, que garante ter aproveitado muito
as indicações do autor.
A Peça
Escrita em 1958, Os Negros têm uma estrutura pouco convencional: não se trata
de um texto com começo, meio e fim. Os 13 atores negros dividem-se em dois grupos: os que
aparecem como eles mesmos e aqueles que aparecem mascarados para representar homens
brancos. Para realçar essa atmosfera peculiar, foram concebidos toda a cenografia e os
figurinos.
Jean Genet
A atormentada existência de Jean Genet traduziu-se, em sua obra literária, por uma
personalíssima visão do mundo, na qual a explícita crueza se une a um profundo lirismo.
Jean Genet nasceu em 19 de dezembro de 1910, em Paris. Abandonado pela mãe e adotado por
uma família camponesa, o futuro escritor conheceu desde a infância os mais sórdidos
aspectos da sociedade. Aos dez anos de idade foi acusado de roubo e internado num
reformatório. A partir de 1930 levou uma vida de vadiagem, entregue a atividades
delituosas. Na prisão, condenado por roubo, escreveu o romance Nossa Senhora das
Flores (1944), cuja qualidade chamou a atenção de escritores como Jean Cocteau e
Jean-Paul Sartre. A polêmica sobre Genet aumentou com o romance Querelle (1947),
que Fassbinder transformou em filme e com a autobiografia Diário de um Ladrão
(1949), cuja escabrosa franqueza - o autor se proclamava abertamente homossexual - causou
escândalo. Depois de escrever alguns romances e peças teatrais curtas que mostravam a
influência do existencialismo de Sartre, a peça As Criadas (1947) revelou em
Genet o dramaturgo de profundidade intelectual, que dispensava aos problemas de identidade
no mundo moderno um tratamento precursor do teatro do absurdo. Obras posteriores, como O
Balcão (1956), Os Negros e Os Biombos (1961) aprofundaram um
estilo expressionista que pretendia denunciar os preconceitos políticos e sociais da
sociedade. Contudo, anárquico e rebelde por temperamento, Genet nunca se comprometeu com
movimentos organizados de nenhuma espécie.
Ficha técnica |
| Peça: Os Negros |
| Direção: Luiz Antonio Pilar |
| Cenário: Doris Rollemberg |
| Figurino: Nello Marrese |
| Iluminação: Daniela Sanches |
| Trilha sonora: Gabriel Moura |
| Programação visual: Maria Julia
Ferreira |
| Produção executiva: Celso Lemos |
Direção de produção:
Norma Thiré |
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A DESIGUALDADE EM NÚMEROS |
Negros vivem menos no Brasil
Esperança de vida ao nascer, em 2000 |
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brancos |
negros |
Mulheres
Homens |
73,80
68,24 |
69,52
63,27 |
| Fonte: Atlas Racial
Brasileiro 2004, PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e Centro de
Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) |
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As paulistanas Airucy Bárbara Diogo Casimiro, de 18 anos, estudante de Direito (à
esquerda), e sua irmã, Amarílis Helena Diogo Casimiro, de 15 anos, estudante do ensino
médio, ilustram com seus sorrisos a foto ao lado da logomarca do Destaque Seppir.
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- 15 |
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Comunicação Social da Seppir
Jornalista Responsável: Cláudio Eugênio
Assistente: Osmar Camelo
Colaboradores: Graça Ohana, Jorge Carneiro
e Maria Inês Barbosa - Seppir
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