Ciganos sensibilizam representantes governamentais

 

Das etnias presentes no VI FIPIR, os ciganos se destacam pela inclusão nas políticas públicas, uma vez que muitos deles nem registro civil possuem. Segundo Mira Kalin, uma líder cigana de Franco da Rocha (SP), o Fipir tem contribuído para o fortalecimento do diálogo com as lideranças ciganas e os gestores públicos locais, mas as lacunas ainda são grandes.

Para Mira, o estereótipo de que “todo o cigano é ruim, ladrão de crianças, entre outras coisas, deixa na marginalidade um número grande de pessoas”, considera. As reivindicações dessa comunidade não são diferentes dos quilombolas, porque  eles  querem infra estrutura, educação,  cultura, saúde, geração de empregos, organização social e políticas públicas para garantia de uma vida digna e cidadã.

Desmistificando a idéia de que cigano e nômade são difíceis de serem inseridos na cobertura das políticas públicas, Mira Kalin explica que devido às dificuldades de sobrevivência dessa cultura, hoje eles estão mais estáveis, até porque são impedidos de acampar em áreas públicas e terrenos particulares. As atividades de quiromancia e cartomancia, de onde tiram o sustento, são reprimidas por autoridades policiais deixando-os em condições de miserabilidade.

Em Franco da Rocha, há cinco anos vivem cerca de 160 ciganos, entre crianças, jovens e adultos. Todos são analfabetos e não possuem documentação, ficando desassistidos de programas sociais. Segundo Kalin a situação está mudando por conta da atuação do Centro de Estudos e Discussão Romani – ONG dedicada à inclusão social dessa comunidade, com respeito às tradições do povo cigano.